Muitos auto- retratos foram pintados a pedido de familiares (Murillo) ou admiradores (Poussin), não sem, por vezes, alguma reticência por parte dos seus autores. Artistas houve (Bernini, Rembrandt, Ribera) que estudavam ao espelho afectos e «paixões da alma», expressões de que necessitavam para compor em seguida quadros de história , obras de maiores responsabilidades e exigências, como se sabe. Rembrandt gravou muitos destes exercícios que depois haveriam de servir de material de estudo para os seus alunos.
São raríssimos os auto-retratos no seiscentos português e pode ser que eles se limitem aos dois espécimes«aqui apresentados e que fecham a exposição»(catálogo). Um deles , o de Oliveira Bernardes, não é aliás um auto-retrato em sentido estrito, antes um retrato dito in assistenza, ou seja um quadro de história onde o artista se inseriu como espectador ou figura secundária. O segundo, o do Marquês de Montebelo, é uma obra publicitária de um nobre português na corte de Madrid, obrigado a pintar quadros retratos por necessidade.
Praticamente no ano em que Oliveira Bernardes pintava o quadro de Santa Clara de Évora, o seu contemporãneo e provavelmente amigo (e confrade da Irmandade de S.Lucas) Félix da Costa terminava o manuscrito da Antiguidade da Arte da Pintura para reclamar a criação em Lisboa de uma Academia nos moldes da instituição parisiense. O escritor apresenta este livro o que parece ser a mais antiga descrição do quadro das Meninas:«Pintou-se Velázquez a si mesmo em pé com a capa traçada e nela o hábito de Santiago e a chave preta na cinta, paleta com cores em uma mão e pincéis juntamente, em acção de retratar, olhando a imperatriz, e a mão com o pincel aplicado ao pano. (Cont...
Luís de Moura Sobral PINTURAPORTUGUESADOSÉCULO XVII
histórias lendas narrativas Janeiro 2004
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