domingo, 13 de novembro de 2011

Novas considerações


Novas considerações sobre o projeto
Minha idéia de montar um agência de viagens virtual que organiza viagens a não-lugares continua válida, mas leituras mais extensas dos livros do Augé e do Alain de Botton me levaram a modificar minha postura anterior sobre a exploração do absurdo.
As viagens que a agência pretende oferecer incluem:
Arquitetural: seleção de fotos de contruções de renomeado arquiteto internacional, por exemplo Frank Gehry, para mostrar que existe um não-lugar que podemos chamar de Gehrylândia, que independe dos lugares geográficos onde se situam.
Golfista: Fotos de campos de golfe para mostrar que existe um não-lugar chamado de Golfcorsica onde os turistas jogam golfe sem conhecer os lugares geográficos em que os campos se situam.
Praiana: Fotos de praias e hoteis a beira-mar num não-lugar chamado Isla dos Resorts onde os turistas podem comer pratos típicos de região, mas que os nativos não comem, por exemplo Chili com Carne no México, Pizza na Itália, French Fries na França, Chop Suey na China. Não-lugares esses onde os empregados são estrangeiros que usam trajes que os nativos não vestem, e sempre tocam “Guantanamera”.
Disneificação: São lugares que se transformaram em não-lugares por causa da exploração turistica, que priva-os da sua identidade original e que existem somente como pastiche da sua carater anterior. Exemplos: Veneza inteira; Torre Eiffel, Le Louvre, Mona Lisa em Paris; O Cristo Redentor, e o Pão de Açucar no Rio de Janeiro; Big Ben, London Eye, o Palácio de Buckingham em Londres; O Mosteiro dos Jerônimos, a Praça do Comércio, o Castelo em Lisboa. Outra caraterística desses lugares é que são normalmente ignorados pelos nativos, que passam todo dia sem olhar e visitam, se visitam apenas para acompanhar visitas.
Viagem no tempo: Esta viagem permite o viajante  comemorar seu aniversário duas vezes. O avião cruza a Linha Internacional de Data do leste para o oeste, e assim volta para o dia anterior. (Pace Umberto Eco.)
Lar Doce Lar: O cliente é encorajado a viajar pela própria casa e seus arredores para ver esse verdadeiro lugar com olhos novos. A quem quiser visitar os não-lugares basta ligar a televisão. Essa viagem é gratuita e pouco divulgada pela agência.
A expressão artística desses conceitos consiste na experimentação das novas técnicas de pintura.
RWP 13/11/2011

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