PAISAGEM DISCURSIVO-SEPULTADA
Por Miguel de Carvalho
“Há uma árvore sepultada viva debaixo da noite”
(Retrato em Movimento ,Herberto Helder)
Há Outonos sepultados nos ramos e anjos sob as folhas. Há também maçãs e vozes sepultadas sob as estrelas. E colinas sob o sono matinal. Pescoços sob retratos em combustão. Sombras que fluem metalicamente. Inteligência solidificada no magma. Que levita, que levita e treme.
E há abismos que escrevem na água depois de sepultados. Espelhos que regressam embriagados à sepultura. Correntes de pássaros sem nome sobre uma praia sepultada na luz. Ventres sombrios e oclusos nas rosas em fogo.
E há amor sepultado na lapela do sono. Cadeiras de granito à espera do crepúsculo e de atingir a idade raiz. E há cometas sepultados na brancura inextinguível das praças, dos oceanos e das nuvens. No rio cuja foz se localiza a montante, gravita a saliva violeta sepultada em redor da chama.
E há seixos solares sepultados neles próprios. Portas de cristal que rompem paisagens nas gentes de costas em posição invertida. E há vocábulos estagnados no pântano e sepultados na beleza queimada pelo olhar amante. Como se de um ritual ensurdecedor se tratasse. E há geografias perplexas e sufocantes enquanto polvos bebem as magnólias. Sem aroma, sem sexo, sem luz.
E há flautas que crescem sepultadas no movimento. E há gastrópodes incompletos nos símbolos desordenados. Que choram. Que procuram a inocência sepultada no silêncio, entre o sol adormecido e o sino liquefeito. E há rostos caçadores de bocas vertiginosas nas memórias azuis.
E há vento incógnito e infiel. E há crianças e moinhos sepultados no lugar-instante onde o tempo retrocede dois minutos de eternidade. E na noite respira-se a sombra musicada dentro do amor.
© miguel de carvalho
(Retrato em Movimento ,Herberto Helder)
Há Outonos sepultados nos ramos e anjos sob as folhas. Há também maçãs e vozes sepultadas sob as estrelas. E colinas sob o sono matinal. Pescoços sob retratos em combustão. Sombras que fluem metalicamente. Inteligência solidificada no magma. Que levita, que levita e treme.
E há abismos que escrevem na água depois de sepultados. Espelhos que regressam embriagados à sepultura. Correntes de pássaros sem nome sobre uma praia sepultada na luz. Ventres sombrios e oclusos nas rosas em fogo.
E há amor sepultado na lapela do sono. Cadeiras de granito à espera do crepúsculo e de atingir a idade raiz. E há cometas sepultados na brancura inextinguível das praças, dos oceanos e das nuvens. No rio cuja foz se localiza a montante, gravita a saliva violeta sepultada em redor da chama.
E há seixos solares sepultados neles próprios. Portas de cristal que rompem paisagens nas gentes de costas em posição invertida. E há vocábulos estagnados no pântano e sepultados na beleza queimada pelo olhar amante. Como se de um ritual ensurdecedor se tratasse. E há geografias perplexas e sufocantes enquanto polvos bebem as magnólias. Sem aroma, sem sexo, sem luz.
E há flautas que crescem sepultadas no movimento. E há gastrópodes incompletos nos símbolos desordenados. Que choram. Que procuram a inocência sepultada no silêncio, entre o sol adormecido e o sino liquefeito. E há rostos caçadores de bocas vertiginosas nas memórias azuis.
E há vento incógnito e infiel. E há crianças e moinhos sepultados no lugar-instante onde o tempo retrocede dois minutos de eternidade. E na noite respira-se a sombra musicada dentro do amor.
© miguel de carvalho
Bibliografia para “Paisagem Discursivo Sepultada”
Publicado em “A Voz dos Espelhos” (Surrealismo actual), Amadora, 2008
Fotografias de Maria Celeste Alves
mdc
...Infância escondida, reprimida, esquecida no tempo....

...como se de um abismo se tratasse, onde tudo se escondia ...
mc
...sensações perdidas e esquecidas no
grito adormecido ...





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